Padre Paulo nos exortava à perseverança depositando nossa confiança em Deus

Muitos são chamados diz o Senhor, poucos escolhidos. Por isso a messe é sempre muito grande e os operários são sempre poucos.

Nosso Deus é sumamente bom, extremamente ciumento, exigente e zeloso. Em Sua Palavra, Jesus diz: quem perseverar até o fim, esse será salvo. Olhando vocês assim tão novinhos, quem vai perseverar até o fim? Porque a graça da Salvação é concedida apenas aqueles que perseverarem até o fim. Muitos são chamados diz o Senhor, poucos escolhidos. Por isso a messe é sempre muito grande e os operários são sempre poucos.

É preciso perseverar até o fim.

Que segurança vocês têm de que perseverarão até o fim? Como conseguirão viver a fidelidade aos compromissos assumidos? Esse é um dos grandes mistérios da nossa fé. Deus não antecipa para nós. Vamos descobrindo aos longos dos anos, das tempestades, das dificuldades, em meio às crises, aos desencontros, que a alma ou vai se abrindo a graça ou vai se fechando cada vez mais a graça de Deus.

Porque a cruz tem essa dupla função: tanto pode expandir o nosso ser, como pode fechar-nos. Para uns ela causa de alegria e de salvação, para outros ela é causa de tristeza e condenação.

Não contem com as suas forças, porque se contarem com as suas forças não chegarão a meta, e a meta é Cristo Senhor. Não contem com as suas capacidades humanas, não contem com sua capacidade intelectual ou as leituras da vida dos santos. Então, com o que vocês podem contar? Contem com aquele que vos amou primeiro, contem com aquele que sendo homem e Deus não pode negar-se a si mesmo e por isso não se nega aqueles que O buscam. Façam como o apóstolo Paulo: basta Senhor a tua graça.

Hoje moro e trabalho no Sul no Brasil, uma realidade e modo de ser igreja totalmente diferente daqui, lá é impensável que Jovens com tantos potenciais abandonem tudo para ingressarem numa comunidade. É impensável encontrar jovens que creem verdadeiramente na castidade. Jovens namorados e noivos convictos de que viverem a castidade é o caminho da felicidade. Nessa realidade há um relativismo muito forte na Região em que eu estou. Por lá há uma valorização muito grande dos bens materiais e tenho encontrado muito jovens com desejo de suicídio porque não conseguem conceber essa dificuldade que para nós é tão comum, essa instabilidade na qual nós vivemos e que precisamos confiar naquele que é o Imutável.

Nessa sociedade Jesus tem muita dificuldade de entrar.

Esse relativismo é muito doloroso porque é percebido a contradição entre o número de comungantes e o número daqueles que se confessam. Há um consumo de hóstias gigantescas. Na igreja todo mundo comunga, sendo que muitos namorados e noivos já vivem uma vida sexual ativa. Comungam normalmente e depois voltam para sua vida ordinária.

Estão extremamente preocupados com o tempo na missa, o padre tem que ter cuidado para não falar mais de uma hora. A percepção do tempo é preciso, mas é preciso para seus interesses pessoais.

Será nessa realidade que vocês viverão os compromissos assumidos. Aqui na comunidade é muito cômodo. Aqui  vocês têm o pai e a mãe, o fundador e a co-fundadora, tem uns aos outros, e isso é bom. Numa crise sabem a quem recorrer. Mas dependendo da região em que você está não é bem assim, você não encontra apoio tão fácil assim. Porque a obra te consome de tal forma que de fato, o único que você vai poder recorrer verdadeiramente é Jesus. E terás que resolver as tuas crises e dicas ou não diante de Jesus hóstia, pedindo a Ele que Ele dê a graça. Mas ao mesmo tempo isso não é uma grande alegria para nós?

Não ter nada, tendo Tudo. Não tendo certeza nenhuma, a não ser a certeza de que Ele é fiel. Não colocando confiança demais em si, mas sim em Sua palavra.

Em sua palavra que hoje fala de casamento, de núpcias. Fala de estabelecer entre cada um de nós uma relação de amor singular e única. Agora toda relação de amor é composta de duas partes, de dois lados. Se por um lado aquele que nos desposou nos tomou para si é fiel, é também verdade que nós, que fomos despojados por Ele, nem sempre somos fiéis. Nem sempre conseguimos ser dóceis aos seus desejos, a sua vontade. É verdade que muitas vezes colocamos em primeiro lugar os nossos projetos, sonhos, desejos. Enquanto aquele que nos desposou, nos tomou para si, é todo nosso.

Foi na cruz que Ele nos desposou e estabeleceu com a humanidade inteira uma aliança que jamais será rompida. Foi nas águas do seu batismo que você foi mergulhado no seio da trindade por meio da igreja nossa mãe. E então a partir do batismo você já não viveria mais para si, mas para Ele, que te amou primeiro e se imolou na Cruz.

O passo de entrar na comunidade e avançar de fase nada mais é do que isso: estreitar os laços de amor com o Senhor.

O desejo de tê-lo como meu único e absoluto sustento. Como a única certeza. Outra certeza eu não tenho a não ser Cristo, e Cristo crucificado. Depois desta certeza sim, eu aposto tudo, eu entrego tudo, eu abri mão de tudo por amor a Ele. Abdico de tudo por que Ele abdicou de tudo para ser o esposo de minha alma. Abdicou-se de sua própria divindade, esvaziando-se, e tornando-se escravo. Abdicou-se do consolo do Pai e dos Espírito de quem experimentara antes dos séculos, por amor a nós. Na medida em que perdermos tudo, então encontraremos Tudo que é o Senhor. É isso que fala nossa segunda mestra Tereza de Ávila, é preciso perder tudo para encontrar Tudo.

É preciso perder-se para encontrar-se em Deus.  Isso é fácil de ouvir, mas tremendamente difícil de viver.

Se Cristo não for o centro, o nosso único amor todo o resto vai se decompondo, por mais belo que tenha sido no início vai se desgastando, vai se corroendo em si mesmo, vai apodrecendo. Por isso tantos casamentos não dão certo, por isso tantas pessoas não são felizes. Nós também corremos esse risco se não deixarmos tudo para abraçar aquele que é o único amor.

O momento em que deveríamos deixar tudo pelo Senhor, deveria ser a Santa missa.

Vocês já perceberam que na Santa missa pequenas coisas lhes distraem? Quem não é fiel nas pequenas coisas não conseguirá jamais ser fiel nas grandes coisas. Se nem na missa que é a entrega total do meu Senhor por mim, eu não consigo estar voltado todo para Ele, em que outros momentos conseguirei? Com que facilidade nosso coração vai para longe dEle. Com que facilidade nosso olhar se desloca para o que é passageiro. Aí nós olhamos para aquela que esteve sempre centrada em Deus. A senhora do evangelho, a Senhora do milagre de Canaã. Diferentemente de nós, Maria foi desposada pelo Espírito, e se mantém fiel a esse Espírito Santo. Ela está toda voltada para Deus, toda centrada em seu filho. Em Maria não há movimentos que a afastem do seu filho. Mesmo ela vivendo a realidade social de sua época, Maria está toda centrada em Cristo Jesus. E por isso subiu aos céus de corpo e alma. E a graça que devemos esperar em Jesus para poder sermos fiéis, essa graça nos vem por meio de Maria. Então dois amores devem ocupar nosso coração. E apesar de serem dois amores eles não devem disputar espaço: Jesus e Maria.

Quando eu tenho Maria no meu coração, necessariamente eu tenho Jesus no meu coração.

No evangelho de hoje nos mostra seu poder de intercessão e mediação de graça que Maria Santíssima possui. No evangelho de João cap. 2 nas bodas de Canaã, quando ela percebeu que tudo chegou ao fim, não tem mais sentido, Maria intervém e faz com que o próprio Deus antecipe o tempo por Ele determinado. É preciso uma ousadia muito grande, para fazer por assim dizer, com que o sol avançasse 3 horas, sabendo que o sol tem o próprio ciclo. Por sua intercessão o Sol avançou e antecipou o tempo da graça. Apenas com um pedido: “eles não têm mais vinho”. Ouvindo isso, o próprio Deus cede a intercessão de Maria.

Jesus é a graça, e a graça acontece porque Maria intervém.

Ela impulsiona o seu filho que realiza por obediência a ela. Se quereis ser fiéis então, queridos filhos, assim como deveis amar Jesus, amai também a sua mãe. E o caminho mais fácil de chegar ao coração de Jesus é por meio do coração de Maria.

Que hoje, nesta celebração vocês possam sair com essa certeza: a única força que temos é a força de Deus. O único que eu posso contar é com meu salvador e com a sua mãe. Não posso contar com minhas forças, com minhas qualidades porque não as possuo, sou pobre demais, sou pequeno demais, e quanto mais pobre e menor eu for, tanto mais Deus poderá fazer de mim um grande instrumento de graça, mas quanto mais eu me impuser, tanto menos Deus fará.

Que o Espírito Paráclito que tornou Maria Mãe de Deus e aquela que dispensa todas as graças e que o Espírito também vem venha sobre cada um de vocês e lhes dê a confiança que lhes vem da fé, da certeza de que aquele que vos desposou, Ele é fiel e não negará a graça de uma alma que for verdadeiramente humildade.

Oh Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!