O Papa Paulo VI afirmou com clareza que os casais devem “exercitar a paternidade responsável prudentemente e generosamente decidindo ter uma família numerosa, ou, por razões sérias e com o devido respeito à lei moral, escolhendo não ter mais filhos pelo resto da vida ou por um período indeterminado”. Compreenda que famílias numerosas devem resultar de uma ponderação prudente, e não do “acaso”. Observe que os casais devem ter sérias razões para espaçar a gravidez e devem respeito à lei moral.

Supondo que um casal tenha uma séria razão para não ter um (ou mais um) filho, o que eles devem fazer para não violar a “ética do sinal”? Em outras palavras, o que eles poderiam fazer para espaçar uma gravdez sem que se tornassem infiéis a seus votos matrimoniais? A Igreja sempre ensinou, ensina e sempre ensinará que o único método de “controle de natalidade” que respeita a linguagem do amor divino é o “auto-controle”. Ou seja, eles podem abster-se de sexo, durante os períodos recomendados, de acordo com o conhecimento da fertilidade feminina.

Surge uma nova questão: um casal, sabendo que são naturalmente inférteis, estariam invalidando de alguma forma sua união se eles se casarem? Ou mesmo um casal que já tenha passado daquela idade em que a gravidez seja impossível. Eles sabem que sua união não resultará em filhos. Será que eles estariam violando “o sinal” por manterem relação sabendo disso? Esta não seria uma atitude contraceptiva? Não. Nem eles, e nem os casais que usam o P.F.N. para não ter um (ou mais um) filho. Eles seguem sua fertilidade, se abstêm quando estão férteis e, se assim desejarem, têm relações quando estão naturalmente inférteis. (Para os leitores desinformados, devemos acrescentar que os métodos modernos de P.F.N., como o Método de Ovulação Billings – MOB -, têm, de acordo com a OMS de 98 a 99% de sucesso ao espaçar uma gravidez quando usados corretamente. E nada tem a ver com o método da “tabelinha”).

Certamente, outra questão surgirá: “Qual é a grande diferença entre esterilizar voluntariamente a relação sexual, e esperar até que ela esteja naturalmente infértil? O resultado final será sempre o mesmo”. E aí eu posso perguntar? Qual é a diferença entre um aborto espontâneo e um aborto voluntário? O resultado final é sempre o mesmo. Um, entretanto, é um “ato de Deus”. E no outro o homem toma o poder da vida em suas próprias mãos e se coloca no lugar de Deus (cf. Gn 3,5).

Então, o que constitui uma “razão séria” para espaçar uma gravidez? O pensamento apropriado sobre o problema da paternidade responsável, como sobre qualquer problema, é uma questão de manter importantes distinções e equilibrar cuidadosamente várias verdades. Ignorar isso leva a erros nos dois extremos.

Um exemplo disso é a noção de que se os casais realmente confiam na providência divina, eles jamais buscarão formas de espaçar uma gravidez. Este simplesmente não é o ensinamento da Igreja. Como João Paulo II observou, em alguns casos “o aumento no tamanho da família seria incompatível com o cargo de pais”. Por isso, como ele também afirmou, espaçar a gravidez “em certas circunstâncias, pode ser permitido ou mesmo obrigatório”.

Nós estamos completamente certos em confiar na providência divina. Mas isto precisa estar equilibrado com outra importante verdade, se quisermos evitar o erro de um certo “providencialismo”. Quando Satanás tentou Cristo a saltar do templo, ele estava certo ao dizer que Deus tomaria providências em seu benefício. Satanás estava na verdade citando as próprias Escrituras! Porém Cristo respondeu com outra verdade, também da Palavra: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (cf. Lc 4,9-12).

Da mesma forma, um casal que trabalhe para sustentar seus filhos não deve tentar Deus. Hoje em dia, o conhecimento do ciclo fértil é parte da providência de Deus. Assim, os casais que usam este conhecimento com responsabilidade para espaçar a gravidez, estão confiando na providência de Deus. Estes casais, da mesma forma do que os que “prudentemente e generosamente decidem ter uma família numerosa” estão praticando a paternidade responsável.

Obviamente, como todas as coisas boas, infelizmente, o P.F.N. pode ser abusado. O egoísmo, inimigo do amor, é também inimigo da paternidade responsável. Está claro nos ensinamentos da Igreja que razões insignificantes não são desculpas para se espaçar gravidez. E nem os esposos precisam passar por uma situação de “vida e morte” antes de fazerem uso do P.F.N.